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Delator da JBS diz que pagou R$ 10 milhões para Colombo. Governador nega
Politica | 20/05/2017 06:47 | Diário Catarinense | Fotos:

governador Raimundo Colombo (PSD) e o secretário da Fazenda, Antônio Marcos Gavazzoni, teriam recebido ao menos R$ 10 milhões da empresa JBS, segundo diretor da empresa, Ricardo Saud, em acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) na Operação Lava-Jato. Na delação, realizada em maio deste ano, o executivo conta que os valores, considerados pela PGR como propina, foram para a campanha de 2014 . A empresa teria intenção de comprar a Casan através de um braço de construção civil da gigante do setor alimentício. Encontros entre Joesley Batista, sócio da JBS, e o governador teriam ocorrido em meados de 2013, mesmo ano que em que houve a compra da Seara.

Em delação realizada em 5 de maio deste ano para procuradores da Lava-Jato, Ricardo Saud afirma que a JBS teria se aproximado do governo de Santa Catarina em 2013, durante o processo de venda da Seara. Naquele ano, a empresa de alimentos foi vendida por R$ 5,8 bilhões para o grupo JBS. 

— Criou-se uma intimidade com o secretário Gavazzoni nessa época. Ele disse que eles iam disputar uma eleição com Dario Berger e Paulo Bauer e que estavam precisando de recurso. Eu disse: 'vocês estão no poder, com a máquina na mão e ainda querem recurso?' Mas ainda assim convidamos eles para um jantar na casa do Joesley, em São Paulo, mais ou menos em junho ou julho daquele ano. Foram Raimundo Colombo, alguns assessores que não lembro o nome e o secretário Gavazzoni — conta Ricardo Saud.

Segundo o delator, a JBS teria intenção de criar uma construtora para investir no setor de saneamento. A Casan estava entre os objetivos da JBS e por isso diretores da empresa teriam entregado "R$10 milhões em propina" para apoiar Raimundo Colombo na eleição de 2014 e conseguir "facilidades na licitação" da companhia de saneamento.

— Olhei pro Joesley, olhei por governador, os dois balançaram a cabeça, assentindo. Chegamos a um número de R$ 10 milhões. Nós pagamos R$ 8 milhões dessa propina dissimulada em forma de pagamento no PSD nacional carimbado pra candidatura do Raimundo Colombo e R$ 2 milhões foi pago em dinheiro vivo lá em Florianópolis mesmo. Eu não posso afirmar se foi o Gavazzoni quem buscou o dinheiro ou se foi um mensageiro dele, mas o dinheiro foi entregue num supermercado que nos ajudou sem saber de nada, pagando em espécie como se fosse uma nota fiscal nossa de R$ 2 milhões.

Ricardo Saud menciona que o pagamento de R$ 2 milhões ocorreu no supermercado Angeloni, pelo diretor-presidente da rede catarinense de supermercados, Augusto Fretta, mas diz que o empresário não sabia que o pagamento era ilícito.  

Na prestação de contas declarada no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Colombo recebeu nas eleições de 2014 R$ 3.482.307,47 da JBS S/A e da Seara Alimentos, o que representa 27% do valor total das doações de campanha (R$ 12.686.824,52). Os repasses foram feitos via Direção Estadual ou Distrital do partido.

Veja a delação em vídeo:

CONTRAPONTOS

O que diz o governador Raimundo Colombo (PSD):

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, contesta com veemência as declarações feitas pelo delator da JBS sobre doações relativas à campanha eleitoral de 2014.Ressalta que a empresa, conforme a legislação eleitoral vigente, fez doações ao diretório nacional do PSD, que repassou para a campanha do partido em SC. A doação feita pela JBS foi dentro da legislação eleitoral de forma oficial na conta bancária do partido e está registrada na prestação de contas apresentada e aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral.

 O que diz o secretário da Fazenda do Estado, Antonio Gavazzoni:

Com relação à delação do executivo Ricardo Saud da JBS, o secretário de Estado da Fazenda, Antonio Gavazzoni, declara com absoluta certeza e convicção nunca ter tratado de assuntos da Casan com o referido delator ou qualquer outro executivo da JBS. Para Gavazzoni, essa narrativa é absolutamente falsa e surpreendente. O secretário esclarece que foram efetivamente convidados para o jantar na residência do dono da JBS, em São Paulo, a que o delator se refere e que, neste jantar, a empresa ofereceu ajuda de campanha oficial, como consta das declarações eleitorais, mas não houve nenhuma conversa sobre Casan: 

— Eles estão mentindo e por isso nunca terão como provar. Se a companhia detinha alguma expectativa sobre esse tema, os fatos falam por si: não houve edital nem venda de nenhuma ação da Casan. Vamos nos inteirar melhor dos detalhes e em seguida tomar os procedimentos cabíveis. A verdade prevalecerá — declarou o secretário.

O que diz Augusto Fretta, diretor-presidente do Angeloni:

A assessoria de imprensa do Supermercado Angeloni desconhecia o conteúdo da delação. Augusto está em deslocamento em um voo, e, por isso, sem contato telefônico. 


FOTOS

 
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